quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Indígenas Xetá realizam retomada de território no Norte do Paraná

 

Indígenas Xetá realizam retomada de território no Norte do Paraná

Cerca de 40 famílias indígenas do povo Xetá iniciaram, no dia 6 de janeiro, uma retomada de território no município de São Jerônimo da Serra, no Norte do Paraná

Indígenas Xetá realizam retomada de território no Norte do Paraná
Ocupação acontece desde o dia 06 e é parte de uma mobilização para que o processo de demarcação da terra indígena dos xetás seja concluído. Foto: Júlio Xetá.

Ação busca pressionar a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá e a adoção de medidas de reparação histórica pelas violências sofridas pela etnia ao longo de décadas.

Cerca de 40 famílias indígenas do povo Xetá iniciaram, no dia 6 de janeiro, uma retomada de território no município de São Jerônimo da Serra, no Norte do Paraná. O grupo ocupa uma área de aproximadamente 60 hectares pertencente ao governo do Estado e localizada no distrito de Terra Nova. A ação tem como objetivo pressionar a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá e busca também a implementação de medidas de reparação histórica pelas violências sofridas pela etnia ao longo de décadas.

Os Xetás estão acampados sob barracos de lona e reivindicam a regularização de parte de seu território tradicional. O processo de demarcação da terra indígena tramita desde 1999 na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e não houve avanços concretos ao longo de 26 anos, apesar de reuniões e do envio de documentos a diferentes órgãos governamentais, inclusive durante o atual governo federal.

“A área onde fica a aldeia é muito pequena, mal abriga as famílias que vivem aqui. Nossa população está crescendo, mas nossa reserva continua pequena”, destaca o cacique Adriano da Silva. Ele revela que a comunidade sequer tem lugar para cultivar suas roças e por isso a Terra Indígena precisa ter seu processo de demarcação concluído, já que também não há espaço para construção de novas moradias.


Nativos da Serra dos Dourados, na região de Umuarama, noroeste do estado, eles foram praticamente dizimados nos anos 1950 - e o governos federal e estadual tiveram um papel central nessa história.

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O caso foi reconhecido como genocídio pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e pela Comissão Estadual da Verdade do Paraná. Os relatórios apontam mortes, transferências forçadas e graves violações à integridade física e psicológica dos indígenas, inclusive de crianças, com a conivência do antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), atual Funai.

O povo Xetá foi duramente impactado pela colonização no Paraná. Na década de 1950, suas terras tradicionais na região da Serra dos Dourados foram cedidas de forma considerada ilegal pelo governo estadual a companhias colonizadoras privadas.

Cerca de 40 famílias participam da ocupação que se iniciou no dia 06 de janeiro. Foto: Júlio Xetá.

Atualmente, sem território próprio os Xetá vivem dispersos em terras de outros povos indígenas, como Kaingang e Guarani, nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Embora relatem acolhimento nas comunidades onde residem, eles afirmam que a falta de um território próprio compromete a preservação de sua cultura, sua autonomia e seu modo de vida, especialmente diante da morte de lideranças mais velhas, que carregavam conhecimentos tradicionais.


Os indígenas que realizam a retomada em São Jerônimo da Serra ressaltam que não pretendem entrar em conflito com proprietários privados nem ocupar áreas particulares, e defendem que o Estado brasileiro reconheça sua dívida histórica e apresente uma solução efetiva e célere para a demarcação


https://www.plural.jor.br/indigenas-xeta-realizam-retomada-de-territorio-no-norte-do-parana/





A POPULAÇÃO DO PARANÁ - COBAIAS DO AGROTÓXICO

População do PR pode virar 'cobaia de agrotóxico'
Afirmação é do presidente da Associação de Defesa e Orientação do Consumidor do Paraná (Adoc), referindo-se à portaria 94 publicada em junho, que estabelece critérios para o uso de veneno em culturas ainda não registradas.
Mauro FrassonReinaldo Onofre Skalisz, diretor da Adoc: ‘‘O governo não pode tomar decisões que coloquem em risco a saúde pública’’''O Ministério da Agricultura (Mapa), a Anvisa e o Ibama querem liberar o uso de agrotóxicos em determinadas culturas sem os estudos que a legislação exige'', afirma o engenheiro agrônomo Reinaldo Onofre Skalisz, diretor da Associação de Defesa e Orientação do Consumidor (Adoc).
A denúncia feita por Skalisz refere-se à portaria número 94, publicada em 27 de junho, deste ano pelo Mapa, que estabelece critérios a serem adotados para o uso de veneno em culturas não registradas. Tanto a Anvisa quanto o Mapa negam a acusação feita pelo diretor da Adoc.
O diretor da Adoc é duro nas críticas.''Querem transfomar a população do Paraná em cobaia'', declara, ao comentar a nova medida do Ministério, que atinge todo o País. Com base na portaria, o engenheiro denuncia que o veneno agrícola recomendado ''só para batatas, por exemplo, poderá ser usado também, sem análise prévia de toxicidade, em batata doce, beterraba, cará, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha-salsa, nabo e rabanete''.
Skalisz explica que o frabricante de veneno agrícola, antes de lançar seu produto no mercado, necessita de aprovação da Anvisa para comercializá-lo. Para tanto, são feitos pelo fabricante de agrotóxico exames de toxicidade nos frutos, legumes e folhagens que receberão o pesticida.
Estes estudos são conhecidos, tecnicamente, por Limite Máximo de Resíduos (LMR).A situação se agrava, segundo o representante dos consumidores, quando o Ministério passa esta tarefa do fabricante - de mostrar os resultados de agrotóxicos em culturas não permitidas - para entidades civis e instituições públicas.
Skalisz esclarece que os órgãos governamentais da agricultura, saúde e meio ambiente, instituições de pesquisa ou extensão rural, associações, cooperativas poderão fazer os estudos de resíduos nas culturas que não utilizam agrotóxicos aprovados pela Anvisa.
O detalhe, segundo ele, é que durante dois anos estas instituições poderão comercializar estas culturas e, só ao final desse período, apresentar os estudos de LMR.
Portanto, afirma Skalisz, durante dois anos, a população estará consumindo frutas, hortaliças, legumes entre outros sem saber a qualidade e a segurança destes alimentos.''O fabricante de agrotóxico não é citado nesta história toda. A responsabilidade dos exames recai sobre as entidades e instituições públicas'', declara o diretor da Adoc, especialista há 35 anos em veneno agrícola.
Caso esta Instrução Normativa seja aprovada, vamos inverter tudo, primeiro usa o agrotóxico, depois desenvolve a pesquisa. Antes era o fabricante de agrotóxicos que teria que desenvolver a pesquisa, agora é quem pleitear a inclusão de uso nas culturas'', declara.A saída, segundo Skalisz, seria o Mapa, o Ibama e a Anvisa promoverem audiências públicas em todo o Estado para avaliar as implicações da portaria 94. ''O governo não pode tomar decisões que coloquem em risco a saúde pública'', protesta o diretor da Adoc.
A Anvisa e o Mapa informaram que a portaria 94 trata-se de uma consulta pública (veja entrevistas nesta página). Já o Ibama, através de sua assessoria de imprensa, não respondeu as perguntas remetidas pela reportagem da FOLHA.
Edson Pereria Filho
Reportagem Local

BOSQUES DO SILÊNCIO

BOSQUE DO SILÊNCIO
Por Eduardo Galeano

Muitos são os anéis que seus aniversários desenharam em seu tronco.
Estas árvores, estes gigantes cheios de anos, levam séculos cravados no fundo da terra,
e não podem fugir, Indefesos diante das serras elétricas, rangem e caem.
Em cada derrubada o mundo vem abaixo; e a passarada fica sem casa.

Morrem assassinados os velhos estorvos. Em seu lugar, crescem os jovens rentáveis.
Os bosques nativos abrem espaço para os bosques artificiais.
A ordem, a ordem militar, ordem industrial, triunfa sobre o caos natural.
Parecem soldados em fila os pinheiros e eucaliptos de exportação, que marcham rumo ao mercado internacional.

Fast food, fast wood: os bosques artificiais crescem num instante e vendem-se num piscar de olhos.
Fontes de divisas, exemplos de desenvolvimento, símbolos de progresso, esses criadouros de madeira ressecam a terra e arruínam os solos.

Neles, os pássaros não cantam.
As pessoas os chamam de bosques do silêncio.