NASCENTES - HIDROGRAFIA - PROJETO OLHO D ÁGUA

PROJETO OLHO D’ÁGUA


MEIO AMBIENTE 

Projeto georreferenciou as nascentes de Umuarama 


O projeto Olho D’Água desenvolvido, em Umuarama, trouxe resultados significativos sobre a condição das nascentes do município. Foram oito meses de trabalho, desde o início no dia da água, 23 de março até o dia do rio em 24 de novembro de 2008  quando encerrou, para mapear 76 nascentes de rios na área urbana, nos quase 28 quilômetros percorridos. 


“O objetivo foi  despertar e sensibilizar a população em geral para o conhecimento da quantidade de nascentes, mas acabou apontando para o estado de poluição em que encontraram os riachos que ficam no entorno da cidade”, conta a engenheira civil Maria Felomena Alves de Oliveira Sandri, coordenadora do projeto.

AEANOPAR /ADEMA/CREA/PMU
Nascente cristalina, em forma de olho, no interior da APA do
Bosque Xetá - Umuarama.


Ela  relata que das nascentes percorridas, apenas duas estavam preservadas, uma das nascentes do Chuvisco, no Ribeirão do Veado, e um efluente do Córrego Tucuruvi, na mata Dom Pedro I. “Nas demais encontramos diversos poluentes vindos geralmente das galerias de águas pluviais. Constatamos a presença de “óleo diesel, graxa, coliformes fecais, além de isopor, cds, garrafas pets, chinelos e roupas trazidas da zona urbana pelas enxurradas para os fundos de vales” Exames anteriores, nas águas do Bosque Xetá, apontaram a presença de cromo, oriundo de gráficas, dentre outros, provenientes de efluentes comerciais, perigosos por conterem metais pesados e contaminarem o solo e o aquífero, explica.

       Para se chegar a estes resultados as oito pessoas envolvidas no projeto contaram com auxílio de um aparelho de GPS para foto interpretação, digitalização cartográfica e levantamento topográfico. “Graças ao aparelho pudemos montar mapas que podem servir de base para que a Prefeitura Municipal de Umuarama formule, acompanhe e avalie políticas públicas na área de gestão de Recursos Hídricos para as sub-bacias municipais”, analisa a Eng. Felomena.
        
      O trabalho foi realizado em parceria com a AENOPAR (Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Noroeste do Paraná), ADEMA (Associação de Defesa do Meio Ambiente de Umuarama), CREA-PR e Prefeitura Municipal.

    Durante o percurso, as nascentes foram fotografadas. Estas fotos foram expostas na II Mostra Fotográfica para a população de Umuarama no Bosque Xetá, em 24 de novembro, dia do rio, do ano passado. “Algumas fotos chamaram a atenção pela beleza das nascentes enquanto que outras pela poluição, como as do rio Pinhalzinho que tem uma péssima qualidade de águas, contaminadas por efluentes industriais”, explica Felomena.


LANÇAMENTO

O projeto OLHO D’ÁGUA foi lançado no Dia Mundial da Água, 22 de março de 2007 na sede da Ong ADEMA , na Sala Aré do Bosque Xetá, pelo convênio da AEANOPAR, ADEMA e CREA-PR , em parceria com a PMU.

No dia 24 de novembro foi comemorado o Dia do Engenheiro e Arquiteto, encerrando a I Semana de Engenharia e Arquitetura da AEANOPAR, onde foi entregue ao Município e ao CREA-PR, um relatório técnico com o levantamento das nascentes.


Umuarama ainda possui importantes ecossistemas de grande biodiversidade, entre os quais os do Bosque Xetá, Bosque Uirapuru, nascentes do Lago Aratimbó e nascentes e entornos do Lago Tucuruvi e Parques D. Pedro I. Estes ecossistemas são protegidos por lei e são denominadas de forma genérica, como APA – Areas de Proteção Ambiental.


Projeto Olho d'Água - Bosque Xetá - Educação Ambiental

Estas unidades, pressionadas pela crescente ocupação urbana da cidade necessitam urgentemente serem delimitadas, com a precisão necessária para identificação adequada dos limites.

Caso continue impreciso o fato gera contínuos conflitos de uso do solo, resultando em invasões e degradações sistemáticas principalmente nas áreas limítrofes aos riachos e fundos de vales municipais.

Por estas razões, foi idealizado o projeto OLHO D’ÁGUA, em 2006, sob a  Coordenadoria de Projetos de Ação da AEANOPAR, a Eng. Felomena Sandri, cujos objetivos foram amplos, abrangendo desde a identificação dos limites legais e seu levantamento, até sua representação por geo-referenciamento e quantidade, de modo a criar bases para a gestão ambiental da localização das nascentes, além da II MOSTRA FOTOGRÁFICA.


O trabalho resultou em fotografias de nascentes dos riachos de Umuarama, expostas pela II MOSTRA FOTOGRÁFICA durante a III Conferência do Meio Ambiente, em Goio Ere, no dia 27 de outubro de 2007 e em Cianorte no dia 08 de novembro de 2007.

Em convênio com o CREA e PMU a AEANOPAR e a ADEMA foram levantados os números de nascentes do entorno da sede de Umuarama.

Os resultados foram alcançados utilizando a metodologia de foto interpretação, digitalização cartográfica, levantamento topográfico através de GPS (Global Positioning System), onde as nascentes foram identificadas e apresentadas nos textos legais que as instituem; sob a base cartográfica vetorial 1/10000 planialtimétrica e confirmadas através de pontos de controle levantados a campo.


Os mapas foram montados com a metodologia do GIS estão em escalas de 1/43000, 1/30000, 1/20000 e 1/15000.

Criado especialmente para coleta de dados GIS, o receptor GPS Pathfinder® ProXT TM estabelece um novo patamar em termos de facilidade de uso. Sendo um receptor GPS submétrico, antena e integrados em um único equipamento, o ProXT é totalmente independente de cabos, tornando a coleta de dados mais direta. O receptor ProXT garante consistência, confiabilidade e acurácia submétrica. O design avançado do receptor e características como a tecnologia EVEREST TM, que garante a rejeição de sinais refletidos, permitiu que o trabalho fosse realizado sob coberturas vegetais, em ambientes urbanos ou qualquer outro lugar.

A pesquisa foi realizada em campo no período de 16 a 22 de outubro de 2007, num levantamento total de 64 nascentes, quantificadas com os seguintes resultados parciais:

 Ribeirão do Veado: 19 nascentes mais vários afluentes sem denominações;
Distância percorrida - 4.371 metros

Ribeirão Pinhalzinho: 06 nascentes com 04 afluentes sem denominação, constando nestes afluentes algumas nascentes. Distância percorrida - 6.195 metros

Córrego Ada (1° braço direito após o lago, seguindo o Córrego Figueira): 02 nascentes Distância percorrida - 529 metros

Córrego Figueira (nascentes do Lago): 09 nascentes até o lago, e 12 nascentes do lago até a rodovia. Distância percorrida - 5.208 metros

Córrego Guatambu (Parque Industrial):: 03 nascentes Distância percorrida - 1.053 metros

Córrego Prata (Jardim monte Claro e Laranjeira): 08 nascentes Distância percorrida - 1.480 metros

 
Córrego Longe (Jardim Cruzeiro e Conj. Córrego Longe): 04 nascentes Distância percorrida - 1.474 metros

Córrego Tucuruvi: 07 nascentes mais vários afluentes sem denominação; Distância percorrida - 4.769 metros

Córrego Mimosa (nascentes do Bosque Xetás, Jardim Social): 03 nascentes Distância percorrida - 1.887 metros

Córrego do Jardim Canadá (nascentes do Pinhalzinho): 03 nascentes. Distância percorrida - 856 metros

Foram percorridos um total de 27,822 Km de distâncias, em leitos dos riachos, para o levantamento das nascentes.

LOCALIZAÇÃO DAS FOTOGRAFIAS

 Chuvisco
  Jardim Canadá
 Lago Aratimbó
  Riacho Pinhalzinho I
 o Pinhalzinho
 Chuvisco

As 10 fotografias que constam da II MOSTRA FOTOGRÁFICA DA AEANOPAR, ADEMA E CREA-PR, segundo a Presidente da AEANOPAR e da ADEMA, a ambientalista e autora das fotos, a Eng. Civil Felomena Sandri, representam cada riacho percorrido, onde umas belas, outras provocavam angustia e tristeza diante de tanta degradação.

IMAGENS  DAS NASCENTES, MATAS CILIARES E RIACHOS  
DA  SEDE DO MUNICÍPIO DE UMUARAMA

1 – Ribeirão do Veado - Nascentes Cachoeiras do Chuvisco

 Foto 1.1 – Galerias com esgoto doméstico

 Foto 1.2 Barragens de sacos e margens sem mata ciliar
 Foto 1.3 – Cercas para animais e divisão de propriedades sem as cercas de mata ciliar.
Foto 1.4 – Jardim Paris – Rua La Paz -  Mata Ciliar invadida por loteamento , lixo e esgotos domésticos clandestinos

 Foto 1.5 – Jardim Paris – Rua La Paz -  Mata Ciliar invadida por loteamento , lixo e esgotos domésticos clandestinos – Queimadas e Hortas.
 Foto 1.6 – Erosão do Arenito Caiuá,  por carga de
de águas pluviais no Parque Xetá.
 Foto 1.7– Canal do Centro Poli Esportivo – Nascentes na lateral do canal com lixo e ponto de galeria pluvial com águas negras próximo à Ponte.
Foto 1.8Águas negras e margens sem mata ciliar. 
 Foto 1.9 Nascentes em um tubo e águas de esgoto doméstico. Outra margem, após a ponte, criação de porco e várias tubulações de esgoto doméstico ligados nas galerias de águas pluviais.
 Foto 1.10 – Nascentes tubulada com aproveitamento doméstico – Lado e fundos do  Sup. Toninato
 Foto 1.11 – Tartaruga abaixo do derrame de óleo, no Córrego Prata, abaixo do óleo.
 Foto 1.12 Saída de galerias de águas pluviais da Av. Ângelo Moreira da Fonseca, com óleo diesel
Denunciada como advinda de oficina próxima (em frente Supermercado Toninato).
 Foto 1.13 – Águas negras e poluídas (Aproximado fundo do Parque Cidade Jardim)
 Foto 1.14  – Nascentes com peixes e com entulhos de materiais de construção, além da cor azulada de resíduos líquidos misturados, advindos de postos de combustíveis e lava-jatos.
 Foto 1.15 – Galerias despejando espumas 
  
Foto 1.16 – Riacho no interior do Bosque Xetá  com águas poluídas  despejadas por galerias de águas pluviais advindas da Av. Presidente Castelo Branco, com  efluentes comerciais de risco, pois derivam de oficinas, postos de combustíveis, gráficas, laboratórios, garagens de ônibus, dentistas, etc., que não podem ser ligados à rede de esgoto doméstico da SANEPAR.




Estas foram as que mais chocaram, e as do Rio Pinhalzinho estavam péssimas, pela qualidade da água devido a lançamentos de efluentes contaminados. Encontramos também, num de seus afluentes, uma tartaruga próximo a um vazamento de óleo diesel.

As que chamaram mais atenção pela beleza foram as nascentes do Lago Aratimbó, apesar das águas contaminadas por resíduos de óleo e graxa vindos pelas galerias de águas pluvias para os fundos de vale, são de uma beleza incrível e estavam repletas de pequenos peixes.


As nascentes preservadas são apenas duas: uma das nascentes do Chuvisco, no rio do Veado e um efluente do Córrego Tucuruvi, na Mata do D. Pedro I, que não apresentavam galerias de águas pluviais.