Indígenas Xetá realizam retomada de território no Norte do Paraná
Cerca de 40 famílias indígenas do povo Xetá iniciaram, no dia 6 de janeiro, uma retomada de território no município de São Jerônimo da Serra, no Norte do Paraná

Ação busca pressionar a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá e a adoção de medidas de reparação histórica pelas violências sofridas pela etnia ao longo de décadas.
Cerca de 40 famílias indígenas do povo Xetá iniciaram, no dia 6 de janeiro, uma retomada de território no município de São Jerônimo da Serra, no Norte do Paraná. O grupo ocupa uma área de aproximadamente 60 hectares pertencente ao governo do Estado e localizada no distrito de Terra Nova. A ação tem como objetivo pressionar a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá e busca também a implementação de medidas de reparação histórica pelas violências sofridas pela etnia ao longo de décadas.
Os Xetás estão acampados sob barracos de lona e reivindicam a regularização de parte de seu território tradicional. O processo de demarcação da terra indígena tramita desde 1999 na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e não houve avanços concretos ao longo de 26 anos, apesar de reuniões e do envio de documentos a diferentes órgãos governamentais, inclusive durante o atual governo federal.
“A área onde fica a aldeia é muito pequena, mal abriga as famílias que vivem aqui. Nossa população está crescendo, mas nossa reserva continua pequena”, destaca o cacique Adriano da Silva. Ele revela que a comunidade sequer tem lugar para cultivar suas roças e por isso a Terra Indígena precisa ter seu processo de demarcação concluído, já que também não há espaço para construção de novas moradias.
Nativos da Serra dos Dourados, na região de Umuarama, noroeste do estado, eles foram praticamente dizimados nos anos 1950 - e o governos federal e estadual tiveram um papel central nessa história.
O caso foi reconhecido como genocídio pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e pela Comissão Estadual da Verdade do Paraná. Os relatórios apontam mortes, transferências forçadas e graves violações à integridade física e psicológica dos indígenas, inclusive de crianças, com a conivência do antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), atual Funai.
O povo Xetá foi duramente impactado pela colonização no Paraná. Na década de 1950, suas terras tradicionais na região da Serra dos Dourados foram cedidas de forma considerada ilegal pelo governo estadual a companhias colonizadoras privadas.

Atualmente, sem território próprio os Xetá vivem dispersos em terras de outros povos indígenas, como Kaingang e Guarani, nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Embora relatem acolhimento nas comunidades onde residem, eles afirmam que a falta de um território próprio compromete a preservação de sua cultura, sua autonomia e seu modo de vida, especialmente diante da morte de lideranças mais velhas, que carregavam conhecimentos tradicionais.
Os indígenas que realizam a retomada em São Jerônimo da Serra ressaltam que não pretendem entrar em conflito com proprietários privados nem ocupar áreas particulares, e defendem que o Estado brasileiro reconheça sua dívida histórica e apresente uma solução efetiva e célere para a demarcação
https://www.plural.jor.br/indigenas-xeta-realizam-retomada-de-territorio-no-norte-do-parana/

